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2月27日

Literatura no Japão

 

Live Writer e Word

    Algumas semanas antes de vir ao Japão telefonei para o meu tio Miguel. Estava envolvido na escrita e a minha plataforma de trabalho era o Redator da Itautec. Para mim o Redator era limitado ao Itau e queria um mais geral. Disquei para o Miguel porque sabia que ele tinha um computador em casa, não estava a par do uso que fazia dele de qualquer maneira o meu interesse estava em um processador de texto. 

    ¨Hitochi, você não teria um processador de texto?¨ Tio Miguel, mas Hitochi é o mais usado entre os familiares.

    ¨Como assim? Porquê?¨

    ¨É, um processador de texto, queria levar um para o Nihon. Estou usando o Redator no meu Itau. Só que lá sem chances de usá-lo, não é mesmo?¨ - o Redator havia sido o meu instrumento de trabalho por anos. A minha plataforma de trabalho consistia no Itautec, uma IBM 6746 que fazia as vêzes de impressora e o Redator como processador de textos. Com isso publiquei - apoiado na Sociedade - os Órion, digitei versões da Tese de Mestrado da Clélia A. Martins, a minha ex-namorada, e estava escrevendo a minha tese Simulação de Eventos Discretos.

    O meu envolvimento com a escrita foi tão profundo que resolvi escrever sôbre a genial Helena Petrovna Blavatsky.  Produzi algumas dezenas de páginas e aí me veio um insigth: ¨Posso ser fantástico, genial, mas não mais do que os seus biógrafos...¨ De maneira que qual editora iria se interessar pela minha obra? Tinha a Pensamento que estava envolvida com o Trigueirinho, fora ela eu não acreditava em nenhuma outra. Depois desse insight surgiu outro logo em seguida: ¨Biografia por biografia porque não Japão?¨ Ao invés de me aventurar com HPB e é o que estava tentando fazer, por sinal uma temerosidade, poderia falar de lugares. Foi nesse momento que surgiu o Japão. A minha tese de mestrado na FEE já tinha sido interrompida fazia um bom tempo e estava tentando fazer uma virada no IEL:- visando inicialmente Inteligência Artificial com o Prof. Dr. Edson Françoso.

    ¨Eu uso o Word.¨ - disse o Hitochi. Era um utilitário que sabia existir, mas nunca havia utilizado.

    ¨É fácil usar?¨

    ¨É, não é difícil.¨ - responde. Eu imaginava que no Japão poderia dispor de computadores, de software não. Estávamos em 1992 e a situação era realmente esta.

    ¨Poderia passar uma cópia?¨ Para mim bastaria uma cópia e, com ela, poderia continuar com o meu envolvimento na escrita. Na verdade não foi isso o que aconteceu. O primeiro computador que tive não consegui utilizar, era um lap top de segunda mão. Um amigo do Yahashi - japonês de Kameyama - me disponibilizou  um por 10.000,00 ien. Levei para o ryo, liguei e na tela os kanji me dWord5eixaram na mão. Depois de vãs tentativas acabei encostando o lap top, continuei utilizando o wapro da Casio que havia adquirido em Hamamatsu.

    ¨Sim, tudo bem.¨

    O Hitochi acabou levando a cópia do Word no aeroporto.

    Ele me repassou um flopy disk da maxell contendo o  WORD - 5. Era como se as referências anteriores ou o Comendador Miguel Botelho e o Dr. Nilson estivesse, naquele momento, se deslocando para o Flopy Word-5. Na verdade ele nunca foi utilizado. Está guardado carinhosamente, é o meu talismã e referência.

    ¨É só digitar word.¨ Foi a última recomendação do meu tio. 

    E, por último, o Live Writer de fevereiro de 2008: coincidindo com um perfil no site da ABRIL.